Nem sempre preciso de te ver, porque o amor que cega e ensurdece também mostra coisas que mais ninguém vê e eu vejo-te a trabalhar, a olhar para o relógio, a ver as horas a passar e a contar os minutos que faltam para que te abram o vidro do mostrador e resgates a tua liberdade, e depois vejo-te a sair do carro e a abrir a porta, respirando fundo o ar que te traz até mim, anunciando na brisa mais inesperada o teu regresso.
Margarida Rebelo Pinto, adaptado.
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